domingo, 13 de julho de 2008

Juventude Mirandesa lembra José Leite de Vasconcelos

A Associação Recreativa da Juventude Mirandesa (ARJM) vai assinalar este ano os 150 anos do nascimento do linguista, filólogo e etnógrafo português José Leite de Vasconcelos.

Os jovens mirandeses vão propor à sua população um conjunto de iniciativas culturais que visam dar a conhecer a personalidade e a obra de um dos maiores vultos da cultura portuguesa.

O programa comemorativo iniciou-se no passado dia 7 de Julho e manter-se-á até ao final do ano.

A homenagem é prestada em forma de agradecimento, pelo facto de ter sido este linguista que deu a conhecer ao mundo a Língua Mirandesa.

A ARJM vai lançar uma campanha intitulada "Recordar José Leite de Vasconcelos", ao mesmo tempo que procederá à distribuição de flyers
acerca da vida e obra arqueólogo e da sua relação com a Terra de Miranda.

Acções de esclarecimento sobre a obra de José Leite de Vasconcelos, passeios Pedestres - "Vem para fora cá dentro - Na Rota de Vasconcelos" –, que pretendem dar a conhecer a todos os participantes os locais percorridos pelo etnógrafo, são algumas das muitas iniciativas que até ao final do ano a ARJM levará a cabo por terras de Miranda.
Jornal Notícias do Nordeste

Lembrar José Leite Vasconcelos

Associação promove campanha de divulgação da obra do linguista e do contributo que deu ao conhecimento e divulgação da língua mirandesa

A Associação Recreativa da Juventude Mirandesa está a promover uma série de actividades comemorativas dos 150 anos do nascimento do linguista, filósofo e etnógrafo José Leite de Vasconcelos. Os estudos actuais sobre a língua mirandesa têm que passar quase sempre pelos registos de Vasconcelos. Este autor foi o primeiro a escrever esta língua, a partir de recolhas de campo. Por essa razão, a Associação propõe realizar, desde o passado dia sete de Julho, dia do nascimento de José Leite de Vasconcelos, até ao final do ano, uma série de actividades para melhorar o conhecimento da vida e obra “do homem que deu a conhecer ao mundo a língua mirandesa”. As comemorações incluem uma campanha “Recordar José Leite de Vasconcelos”, que consiste na distribuição de flyers acerca da vida e obra do linguista, passeios pedestres nos locais por onde passou e recolheu os dizeres mirandeses, sessões de esclarecimento nas escolas do concelho, de Setembro a Novembro. No decurso do V Encontro de Jovens Mirandeses serão ainda dadas a conhecer algumas histórias sobre a vida e obra do autor.

Importância de José Leite de Vasconcelos para a língua mirandesa

O ensaio Dialecto Mirandez, datado de 1882, é uma obra de referência para os estudiosos desta língua. Foi a partir desse estudo e registo escrito de Vasconcelos que o mirandês passou a ser reconhecido como um registo linguístico diferente, ou peculiar, no seio das línguas e falares românicos. No site http://cuontasmiradesas.blogspot.com (Blogue lhiterário i de studos lhiterários an lhéngua mirandesa), Amadeu Ferreira, autor de diversos livros escritos em mirandês, assinalou, no passado dia sete, os 150 anos do nascimento de Vasconcelos, publicando o registo digital, “em forma de homenagem”, do Dialecto Mirandez, tal como foi publicado, pela primeira vez, em 1882. O livro passa agora a estar acessível on-line, no referido blog. Flores Mirandesas, ou, no original, Froles Mirandesas, datado de 1884, é tido como o primeiro livro escrito naquela que, mais de cem anos passados, seria a segunda língua oficial de Portugal e não apenas um “dialecto”. Nessa altura ainda não tinha sido assinado qualquer acordo ortográfico, para “cristalizar” a língua transmitida oralmente, de geração em geração, numa forma escrita.

Fundador do actual Museu Nacional de Arqueologia

José Leite de Vasconcelos nasceu em sete de Julho em Ucanha, Mondim da Beira, e faleceu em Lisboa, em 1941. Foi fundador e primeiro director do actual Museu Nacional de Arqueologia, na altura designado Museu Etnográfico Português. Licenciou-se em Medicina, no Porto, mas foi nas área da filologia, etnografia e cultura portuguesa que haveria de destacar-se. Foi conservador da Biblioteca Nacional e fundador da Revista Lusitana e professor na Faculdade de Letras de Lisboa. Em 1991 doutorou-se em Filologia Românica, na Universidade de Paris, com a tese Esquisse d'Une Dialectologie Portugaise. Filologia Mirandesa e Filologia Barranquenha são dois dos seus principais estudos, nesta área.

Uma das flores Mirandesas

Quien dirie q’antre ls matos eiriçados, Las ourrietas i ls rius desta tierra, Bibie, cumo l chougarço de la sierra, Ua lhéngua de sons tan bariados?

Mostre-se i fale-se essa lhéngua, filha Dun pobo que ten neilha l choto i l canto! Nada por cierto mos cautiba tanto Cumo la forma an que l’eideia brilha.

Zgraciado daquel, q’abandonando La pátria an que naciu, la casa i l huorto, Tamien se squece de la fala! Quando L furdes ber, talbeç que steia muorto!

Tierra de Miranda, 7 de Setembre de 1884

(in: http://cuontasmiradesas.blogspot.com/2007/10/flores-mirandesas-jos-leite-de.html)

Jornal Mensageiro

Ana Preto

http://www.mensageironoticias.pt/noticia/586

quarta-feira, 5 de março de 2008

Miranda enaltece língua materna.

"Conversar em mirandês foi o desafio lançado pela Associação Recreativa da Juventude Mirandesa (ARJM), para assinalar o Dia Internacional da Língua Materna.
Nos dias 21, 22 e 23 de Fevereiro, a população de Miranda do Douro aderiu à campanha “You falo Mirandês” e comunicou na segunda língua oficial de Portugal.
Durante três dias, a ARJM distribuiu autocolantes identificativos pelas pessoas que sabem falar mirandês, para que estas estabelecessem o diálogo na língua materna, sempre que se encontrassem.
Já no dia 23 à noite, a associação promoveu a leitura e dramatização de textos em mirandês em diversos estabelecimentos de diversão nocturna da cidade, nomeadamente no Bar U2, Black & White, Rochedo Bar e Atalaia Bar.
As comemorações contaram com o apoio da Câmara Municipal de Miranda do Douro, Centro de Estudos António Maria Mourinho e Associação Frauga.
Recorde-se que esta colectividade nasceu para participar activamente na divulgação da “Lhéngua”, aproximando-a da população jovem.
Dado que a cultura mirandesa é prezada com orgulho pelos mirandeses, a associação procura dinamizar esta tradição junto da juventude, para que o idioma se mantenha vivo.
O próximo passo é a introdução do ensino mirandês obrigatório nas escolas do concelho de Miranda do Douro. Esta ideia é defendida pelo presidente da autarquia local, Manuel Rodrigo, que aponta o dedo ao Ministério da Educação pelo facto de ainda não haver manuais escolares em língua mirandesa.
Para já, os professores são obrigados a improvisar aquilo que ensinam aos alunos que estão a aprender a segunda língua oficial."
Jornal Nordeste
Por: Teresa Batista